INTRODUÇÃO
A ORIGEM DA GEOMETRIA

A palavra geometria é composta de duas palavras
gregas: geos (terra) e metron (medida). Esta denominação deve a
sua origem à necessidade que, desde os tempos remotos, o Homem
teve de medir terrenos.
Ano após ano o Nilo transbordava do seu leito natural,
espalhando um rico limo so- bre os campos ribeirinhos, o que
constituía uma benção, a base de existência do país dos Faraós,
que na época se circunscrevia a uma estreita faixa de terra às margens do rio. A inundação fazia desaparecer os marcos de
delimitação entre os campos. Para demarcarem novamente os
limites existiam os "puxadores de corda", os "harpedonaptas"
que baseavam a sua arte essencialmente no conhecimento de que o
triângulo de lados 3, 4, 5 é retângulo.
As construções das pirâmides e templos pelas civilizações egípcia
e Babilônica são o testemunho mais antigo de um conhecimento
sistemático da Geometria.
Contudo, muitas outras civilizações antigas possuíam
conhecimentos de natureza geométrica, desde a Babilônia à
China, passando pela civilização Hindu. Os Babi- lônicos tinham
conhecimentos matemáticos que provinham da agrimensura e co- mércio
e a civilização Hindu conhecia o teorema sobre o quadrado da
hipotenusa de um triângulo retângulo.
A Geometria como ciência dedutiva apenas tem início na Grécia
Antiga, cerca de sete séculos antes de Cristo, graças aos esforços
de muitos notáveis predeces- sores de Euclides, como Tales de
Mileto (640 - 546 a.C.), Pitágoras (580 - 500 a.C.) e Eudoxio (408
- 355 a.C.).
Platão interessou-se muito pela Geometria e ao longo do seu
ensino evidenciou a necessidade de demonstrações rigorosas, o
que facilitou o trabalho de Euclides.
Euclides (323 - 285 a.C.) deu um grande contributo para a
Geometria escrevendo o livro "Elementos" que é
constituído por 13 volumes. Este livro estabeleceu um méto- do de
demonstração rigorosa só muito recentemente superado.
ORIGEM DO DESENHO GEOMÉTRICO

É possível inclusive que, a partir desta evolução nas
relações do homem e da fau- na, nascera, há 60.000 anos, uma
arte tão direta, tão inspirada, tão pujante, que con-servou sua
imortal juventude.
Não foi nada explosivo. A mão tentou desenhar os traços,
movida por um pensa- mento nascente que logrou progressivamente sua
regulação, que acumulou experi- ência e que fecundou a imaginação.
E é impossível não evocar
- tão grande é a continuidade de nossa espécie desde suas
origens selvagens
- nesses traços gravados no osso, nesses traços curvos e
titubeantes, os riscos
que traçavam, não há muito, os meninos, como
elementos precursores da escrita. Pierre-Paul Grassé, in
La vie des animaux, referindo-se à evolução do homem e ao
surgimento da arte de desenhar (pintura pré-histórica
encontrada na gruta de Lascaux, França).
Como linguagem de comunicação e expressão, a arte do desenho
antecede em muito a da escrita. O que é a escrita se não a
combinação de pequenos símbolos desenhados? Através de
gravuras traçadas nas paredes das cavernas, o homem pré-histórico
registrou fatos relacionados com o seu cotidiano, deixando indicado- res importantes para os pesquisadores modernos estudarem
os ancestrais de nos- sa espécie. Enfim, a arte do desenho é algo
inerente ao homem.
Não se sabe quando, ou onde, alguém formulou pela primeira vez,
em forma de de- senho, um problema que pretendia resolver
talvez tivesse sido um projeto de mo- radia ou templo,
ou algo semelhante. Mas esse passo representou um avanço fun- damental na capacidade de raciocínio abstrato, pois esse
desenho representava algo que ainda não existia, que ainda viria
a se concretizar. Essa ferramenta, grada- tivamente aprimorada, foi
muito importante para o desenvolvimento de civilizações, como a
dos babilônicos e a dos egípcios, as quais, como sabemos,
realizaram ver- dadeiras façanhas arquitetônicas.
Porém, uma outra civilização, que não hesitava em absorver
elementos de outras culturas, aprendeu depressa como passar à
frente de seus predecessores; em tudo que tocavam, davam mais
vida. Eram os gregos. Em todas as áreas do pensamen- to humano em
que se propuseram a trabalhar realizaram feitos que marcaram defi- nitivamente a história da humanidade.
Foram os gregos que deram um molde dedutivo à Matemática. A
obra Elementos, de Euclides (?300 a.C.), é um marco de valor
inestimável, na qual a Geometria é desenvolvida de modo
bastante elaborado. É na Geometria grega que nasce o De- senho
Geométrico que aqui vamos estudar.
Na realidade, não havia entre os gregos um diferenciação entre
Desenho Geomé- trico e Geometria. O primeiro aparecia simplesmente
na forma de problemas de construções geométricas, após a
exposição de um item teórico dos textos de Geo- metria. Essa
conduta euclidiana é seguida até hoje em países como a França, Suí- ça, Espanha, etc., mas, infelizmente, os problemas de
construção foram há muitos banidos dos nossos livros de
Geometria.
Assim, pode-se dizer que o Desenho Geométrico é um capítulo da
Geometria que, com o auxílio de dois instrumentos, a régua e o
compasso, se propõe a resolver graficamente problemas de
natureza teórica e prática.
Para quem serve o desenho geométrico?
A
resolução de um problema de construção geométrica,
de um modo geral compreende duas etapas:
a pesquisa das propriedades e da seqüência de operações
que possibilitam realizar a construção;
a
execução de construção pedida, servindo-se dos
instrumentos de desenho.
Pois bem, na primeira etapa lidamos, de forma teórica,
com os elementos da Geometria, exigindo-se dos estudantes
muito empenho. O estudo do dese- nho, nessa fase, dará
oportunidade de desenvolver o raciocínio lógico- dedu- tivo,
além de despertar a criatividade. Independentemente da
área a que vá se dedicar futuramente como profissional,
o estudante terá aí um elemento funda- mental na sua
formação.
Na segunda etapa, quando se manuseiam os instrumentos,
desenvolve-se grandemente o sentido de organização; com
freqüência, o estudante então experimenta a sensação
de realização, ao ver se concretizarem, no papel, as idéias
que possibilitaram a construção.
Especificamente os que pretendem orientar seus estudos
para as áreas de Engenharia ou Arquitetura terão no
Desenho Geométrico o instrumental ne- cessário ao Desenho
Projetivo, que, por sua vez, será muito utilizado nessas
profissões.
Para que serve o desenho geométrico?
O Desenho Geométrico é classificado como desenho resolutivo,
pois através dele, determinam-se respostas precisas para
problemas de natureza prática ou teórica.
Desenho Geométrico José Carlos Putnoki Ed. Scipione
Geometria, parte da matemática que estuda as propriedades do espaço. Em sua forma mais elementar, a geometria trata de problemas métricos, como o cálculo da área e do diâmetro de figuras planas e da superfície e volume de corpos sólidos. Outros campos da geometria são a geometria analítica, a descritiva, a topologia, a geometria de espaços com quatro ou mais dimensões, a geometria fractal e a geo- metria não-euclidiana.
Geometria descritiva primitiva
Pitágoras e seus discípulos usaram certos axiomas ou postulados e a partir deles deduziram um conjunto de teoremas sobre as
propriedades de pontos, linhas, ângu- los e planos, como o famoso teorema de Pitágoras. A obra Elementos, de Euclides, serviu como
livro de texto básico de geometria quase até os nossos dias.
Primeiros problemas geométricos
Os gregos introduziram os problemas de construção, nos quais certa linha ou figura deve ser construída usando-se apenas uma régua de
borda reta e um compasso. Há três famosos problemas de construção que datam da época grega: a duplicação do cubo
(construir um cubo cujo volume seja o dobro do de outro cubo preexistente), a quadratura do círculo (construir um quadrado com
área igual à de determinado cír- culo) e a trissecção do ângulo (dividir
um ângulo em três partes iguais). Nenhuma destas construções é possível usando-se apenas régua e compasso.
Os gregos, principalmente Apolônio de Perga, estudaram a família de curvas
conhe- cidas como cônicas e descobriram muitas de suas propriedades fundamentais. Arquimedes inventou formas de medir a
área de certas figuras curvas, assim como a superfície e o volume de sólidos limitados por superfícies curvas.
Geometria analítica
A geometria avançou muito pouco desde o final da era grega até a Idade Média.
René Descartes, em 1637, forjou uma conexão entre a geometria e a álgebra, ao demonstrar como aplicar os métodos de
uma disciplina na outra. Este é um funda- mento da geometria analítica, na qual representam-se as figuras através de
expres- sões algébricas.
Avanços modernos
A geometria sofreu uma mudança radical de direção no século XIX. Gauss,
Lobat- chevsky e János Bolyai, trabalhando em separado, desenvolveram sistemas
coe- rentes de geometria não-euclidiana.
Quase ao mesmo tempo, o britânico Arthur Cayley desenvolveu a geometria para espaços com mais de três dimensões. Outro
conceito dimensional, o de dimensões fracionárias, surgiu no século XIX.
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